Era exatamente 00:00 horas do dia 01/01/2000. Um novo ano se iniciando e ele sozinho, sentado na varanda de seu apartamento, assistindo aos fogos de artifício nos céus de São Paulo. A beleza daquelas luzes não amenizavam nem um pouco a solidão que pairava sobre João. Aquelas cores vibrantes refletiam em seus olhos lacrimejados, enquanto tudo o que ele mais desejava no momento era estar acompanhado. Não necessitava ser uma namorada, apenas um amigo já o faria sentir-se um pouco mais feliz.
Já cansado de apreciar os fogos de artifício, João levanta-se da sua cadeira de balanço, na varanda, e se dirige até seu quarto. Retira, de dentro do guarda-roupas, uma caixa vermelha com um laço branco sobre a tampa. Senta-se na beirada da cama e retira de dentro da pequena caixa algumas fotos. De seus olhos começam a brotar lágrimas que rolam pelo rosto, aquelas fotos pareciam mexer muito com as emoções de João. De repente, ao ver a foto de um pequeno menino que sorria alegremente, sua expressão de tristeza e angustia se desfez em um pequeno sorriso que nasceu em seu rosto já molhado pelas lágrimas. João, segurando a foto, colou alguns pedaços de fita adesiva em seu verso e a grudou na cabeceira de sua cama. Beijou sua mão e acariciando a criança da foto exclamou:
- Espero um dia te encontrar, filho!- E novamente as lágrimas brotaram em seus olhos e rolaram pela sua face.
O telefone tocou, e João, levantando-se, e enchugando as lágrimas foi atendê-lo. Em seus pensamentos se questionava sobre quem poderia estar ligando a essas horas, pois já era de madrugada.
-Residência Ferreira, com quem quer falar?
- É o Fabinho?
- Nada de Fabinho – e desliga, velho demais para trote.
Outra vez:
- Desculpe. É a voz do Fabinho.
Tão doce a inflexão, que ele muda de idéia:
- Me chamo João. E você?
- Olá, João. Eu me chamo Gabriel. Desculpe-me se lhe acordei.
- Não tem do que se desculpar, não estava dormindo.- disse enquanto repetia o nome daquele homem em sua mente, Gabriel.
- Eu sei que não tenho nada a ver com a sua vida, mas o senhor está bem? está com uma voz estranha.
- Eu estou bem, obrigado! Como conseguiu o número aqui de casa?
- Bem, meu amigo Fabinho me passou o numero dele, mas acho que devo ter anotado errado.
Tudo estava explicado, não havia mais motivos para contiuar com a conversa. Mas João estava gostando de falar com alguém, que, por estar telefonando à aquelas horas, também deveria estar sozinho.
- Bem, não sei o que fazer agora, Fabinho era minha última chance!- exclamou Gabriel com voz triste.
E João pensou "do que será que ele está falando?" "que problemas será que está passando? " “será que pergunto?" E tomando coragem, perguntou:
- Quer compartilhar comigo, não sei o porquê, mas posso tentar ajudar.
- João, já fazem sete anos que descobri que fui sequestrado quando tinha três anos de idade. E no meio do caminho os sequestradores desistiram do sequestro e me largaram num orfanato, no México. Tive a grande sorte de ser adotado, mesmo não sendo mais um bebê, por uma família brasileira, que quiseram me adotar porque gostaram de mim. Morei no México durante quase toda a minha vida, porém, fazem oito anos que nos mudamos para o Brasil. Sem querer, ouvi uma conversa entre meu pai e minha mãe, adotivos, onde descobri que eu era adotado e eles não sabiam nenhuma informação sobre meus pais biológicos.
João ouvia a história daquele rapaz com seus olhos molhados e com um nó na garganta segurava-se para não chorar.
- E desde então - continuou Gabriel - a minha vida foi dedicada a encontrar os meus pais biológicos, e Fabinho era o único que conhecia alguém que poderia ser.
João estava sem palavras, simplesmente surpreso com o relato de Gabriel, e este ouvia os gemidos de choro do outro lado da linha.
- João, o senhor está bem aí?
Gabriel, sem entender absolutamente nada, se preocupa e fica ansioso e pergunta novamente:
- João, o senhor está bem aí?
Com muito esforço, João conseguiu sussurrar algumas palavras:
- Eu sabia! Eu sabia!
- O que o senhor sabia, João?- questionou Gabriel, sem entender nada.
- Eu sabia, que algum dia eu ia te encontrar, filho! Desde que te sequestraram aos três anos de idade eu nunca mais fui feliz, e a minha vida foi te procurar, nunca perdi a esperança! Você deve estar com trinta e sete anos de idade, não é? Seu aniversário é dia dezesseis de novembro? Seus olhos são verdes e você tem uma marca de nascença, uma pequena mancha marrom, em seu braço esquerdo?
- Sim! Sim, este que o senhor descreveu sou eu! Eu não acredito! - exclamou surpreso - Encontrei, encontrei, encontrei meu pai!
Tanto João como Gabriel estavam muito felizes, pois as angústias de suas vidas acabaram quando se encontraram. E tanto João como Gabriel, viram que nunca deve-se perder a esperança. Pois a qualquer momento, a qualquer hora, Deus pode fazer da sua vida uma caixinha de surpresa!
Este texto nasceu, de um exercício de redação narrativa que fiz. A proposta era escrever uma narração da qual faça parte, de maneira
ResponderExcluirrelevante, uma cena com o seguinte texto:
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– É o Fabinho?
– Nada de Fabinho – e desliga, velho demais para trote.
Outra vez:
– Desculpe. É a voz do Fabinho.
Tão doce a inflexão, que ele muda de idéia:
– Me chamo João. E você?
PUCCAMP - Prova Geral - Vestibular 2007
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A história fluiu, e atravéz dela, pude observar que nunca devemos perder a esperança, pois Deus pode todas as coisas!